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Abia

Vencedor de Melhor Filme no V Cine Fest Petrobras Brasil, Nova York 2007
V Cine Fest Petrobras Brasil

 

Filme sobre Betinho, Henfil e Chico Mário
vence festival em Nova York

"Três irmãos de sangue", de Ângela Patrícia Reiniger, foi o vencedor do 5º Cine Fest Petrobras Brasil, em Nova York. O documentário sobre os irmãos Betinho, Henfil e Chico Mário ganhou
a Lente de Cristal de melhor filme por escolha do público, que lotou as sessões diárias das salas do complexo Tribeca Cinemas, com cerca de 20 mil espectadores. Foram exibidos
26 filmes, entre longas e curtas, em uma semana, sendo 13 deles em competição, cada um com direito a duas sessões para votação do público. O filme de Patricia Reininger conta a história dos três irmãos que fizeram da solidariedade na luta contra a pobreza uma bandeira nacional: Betinho, através da liderança de campanhas sociais contra a fome, Henfil, através
do humor altamente crítico da exploração da miséria, e Chico Mário, com sua música e a participação nas campanhas para ajudar os que sofrem de hemofilia. O prêmio foi recebido pelo roteirista, Cristiano Gualda, em nome da equipe.

Muita gente reclama do cinema brasileiro pela tendência a privilegiar enredos sobre corrupção, prostituição e violência. Mas se esquece que o público gosta. Muitas produções nacionais recentes que tratam de violência são campeões de bilheteria. É o caso de "Carandiru", de Hector Babenco, que chegou a virar série de TV, ou de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, talvez o filme mais popular dos anos 90 para cá, período que parte da crítica chama de "retomada". A tendência de mercado dominante no Brasil é a estética naturalista, que vem da TV para o cinema e atualmente volta para a TV: são filmes que pretendem fazer um "retrato do Brasil", a partir de um microcosmo que apaga as diferenças de um país continental e minimiza conflitos de classe, transformando-os em melodramas maniqueístas, como fazem
as novelas. Há hoje uma indústria no Brasil que vive do medo: carros blindados, vidros escuros, portas trancadas, pânico de sair à rua, especialmente à noite. E há uma ficção a serviço desta indústria, que transforma a favela no grande fantasma a perturbar o sono da classe média urbana atemorizada, trancafiada nos condomínios cercados de vigilância por todos os lados.

A vitória do documentário de Ângela Patricia Reiniger revela que o público de Nova York, composto de nova-iorquinos e de brasileiros residentes em Nova York, prefere enredos que enfatizem a resistência ao medo e à violência e apontem uma saída para a exploração e a violência no Brasil. A tragédia pessoal dos irmãos Souza ganha um viés épico no filme de Patricia Reiniger. Solidariedade dá esperança. Para uma platéia que não tem medo de andar nas ruas, numa Nova York com índices de criminalidade baixos e forte policiamento ostensivo, o cinema brasileiro pode ser visto à distância. Há muitos motivos para ter medo em Nova York, uma cidade que vive em alerta sobre ataques terroristas desde o onze de setembro. Mas a cidade aprendeu que ocupar as ruas é a melhor forma de resistência ao pânico e que assegurar o direito ao lazer urbano coletivo é a melhor vitória sobre o terrorismo. Daí os parques repletos de gente nos vários festivais de verão que acontecem na cidade. A escolha do documentário de Patricia Reiniger mostra que um outro cinema brasileiro pode tornar-se o preferido do público americano.

Foram 13 longas-metragens em competição: "Pro dia nascer feliz", de João Jardim; "Inesquecível", de Paulo Sérgio Almeida; "Polaróides Urbanas", de Miguel Fallabela; "Noel,
o poeta da Vila", de Ricardo Van Steen; "Caixa Doi$", de Bruno Barreto; "A vida é um sopro", Fabiano Maciel; "Baixio das bestas", de Cláudio Assis; "Eu me lembro", de Edgard Navarro;
"O maior amor do mundo", de Carlos Diegues; "Maksuara - Crepúsculo dos deuses", de Neville D’Almeida; "Três irmãos de sangue", de Ângela Patrícia Reiniger; "Atabaques Nzinga", de Octávio Bezerra; "O cheiro do ralo", de Heitor Dhalia. Ainda não se sabe quais os filmes que serão escolhidos pelos distribuidores americanos para temporada nos cinemas. Mas muitos filmes estão sendo negociados para serem exibidos até o fim do ano. Resta ver se a votação do público terá influência nessa escolha.

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